Rhodolfo é um ótimo zagueiro e demonstrou toda sua qualidade no Brasileiro deste ano, mas trocá-lo por Souza seria de uma soberba, para não dizer doentia, ignorância (fosse eu diretor do São Paulo e fechava na hora). Souza é o melhor volante que o Grêmio tem no plantel e um dos melhores que já jogaram pelo tricolor nesses últimos cinco anos. Tem passadas largas, rouba a bola sem fazer falta, dá velocidade e segurança ao time. É um jogador extremamente regular (basta ver que mantém o nível de atuação desde a chegada ao clube, em 2012) e pouco se machuca. Não aparece muito para o torcedor, embora seja peça fundamental no esquema de jogo. Como Rhodolfo, é jovem (e leva a vantagem de ter três anos a menos), porém a meu ver mais decisivo na sua faixa de campo. Achar que Edinho seria um substituto à altura é cometer um suicídio. Por sinal, o Grêmio começa 2014 carregado de desconfiança, o que pode no fim das contas ser bom. De antemão digo que não gostei da escolha do técnico nem da primeira contratação do clube (justamente a do ex-volante do Fluminense), mas dou meu voto de confiança à diretoria. Pelo menos enquanto não fizerem essa burrice de trocar Souza por Rhodolfo. Que a direção encontre outro meio de ficar com o zagueiro do São Paulo.
sábado, 21 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Pobre Portuguesa
Surpreende a posição da grande mídia em relação ao caso da Portuguesa. Surpreende, e muito, porque todos, ou boa parte, são a favor do rebaixamento da Lusa por "amadorismo". E ao afirmar esta posição, para não pegar mal ou talvez para não expor o que de fato se esconde por trás desse jogo de interesses, sugerem que o Fluminense continue caindo junto, que aproveite e leve o Atlético-PR e que subam seis da série B. Não seria um bom exemplo?, é o que bradam, orgulhosos pela artimanha. Não seria uma ótima forma de punir a incompetência dos cartolas? E usando essa palavra já acham que estão dando um argumento irrefutável, porque sabemos (e bem) o efeito que este "despretensioso" termo causa nos leitores sem maior senso crítico. Os cartolas isto, os cartolas aquilo e tudo está explicado, até o imponderável.
Não, meus caros, rebaixar a Portuguesa por "amadorismo" seria uma vergonha. Aliás, vergonha maior é acreditar em "amadorismo". Esta semana, quantos anjinhos não descobri espalhados pelos sites da Espn, Globoesporte, Lance etc. Todos jornalistas (acreditem se puder). Todos condenando o tal do "amadorismo" da Lusa. Sinceramente, quem acredita nessa mal contada história de advogado, de julgamento obscuro, nessas coincidências? Alguém é capaz de acreditar mesmo que a Lusa teria escalado o jogador por "amadorismo"? Mesmo quando o tal do julgamento não foi gravado, mesmo quando o tal advogado trabalha também para a CBF (olha, ele errou porque fez seis julgamentos no mesmo dia, poderia estar cansado, blá, blá, conversa para boi dormir!)? Mesmo quando a patrocinadora do Fluminense é a poderosa Unimed e mesmo quando um dos auditores, ANTES de ser convocado para o julgamento e sem nem sequer ouvir a defesa da parte, disse que a Lusa estaria condenada, fazendo a bela ressalva de que, por ele, Washington Rodrigues de Oliveira, o Fluminense seria rebaixado, mas que, segundo sua nobre convicção, o que soa um gracejo, Dura lex sede lex? Fato grave, gravíssimo: um auditor, "que nem sabia se seria convocado para o julgamento", deu "por acaso" sua opinião, a de que condenaria a Portuguesa e salvaria o Fluminense, e poucos minutos depois foi chamado para o julgamento de segunda. Tudo muito natural. Como é natural fazer uma alusão ao Flamengo e exigir os pontos do jogador mal escalado, desse modo o circo soa menos artificial e fica mais fácil convencer o grande público.*
O que estão fazendo com a Portuguesa é prática comum no futebol. Não se trata de regulamento, de "amadorismo", de telefonema e confusão de advogado. Nada. Trata-se da coisa que move e sempre moveu o mundo: DINHEIRO. Em todo esse imbróglio, fiquei apenas com uma certeza: esse "amadorismo" todo deve ter custado uma fortuna para uma parte, e gerado, para a outra, muitos sorrisos, ainda que à custa de terceiros: muita, mas muita gente mesmo deve ter acordado na segunda-feira, dia 9, com uma boa lembrança na conta bancária.
* Desde 2005, quando o Brasil inteiro viu o que aconteceu no título do Corinthians, as coisas foram evoluindo. Lembro de um episódio: aquela disputa entre Cruzeiro e Atlético, em que o Galo foi goleado pelo arquirrival. Segundo a teoria da conspiração, se perdesse de poucos gols, o Atlético teria a honra manchada porque alguém sempre sugeriria que o time entregara para manter o Cruzeiro na elite, sobretudo porque havia a "coincidência" dos dois times serem patrocinados pela BMG. O que aconteceu? Uma retumbante goleada e estamos conversados. A suspeita desaparecia. É mais ou menos o papel do Flamengo no imbróglio de hoje. Vão tirar os pontos da Portuguesa, mas também do Flamengo, para dar "lisura" ao certame.
http://andreisac.blogspot.com.br/2013/12/a-regra-e-clara-jogador-da-lusa-nao.html
http://ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/68014/dispositivos+do+cbjd+deveriam+livrar+lusa+de+punicao+e+queda+para+serie+b.shtml
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Classificação
Mesmo apresentando um futebol feio, o Grêmio conseguiu sua classificação merecida para a Libertadores. No jogo de ontem foi bem até levar o primeiro gol, então recuou perigosamente e, embora não sofresse riscos, poderia ter sofrido o empate (quem não se lembra dos gols de Fluminense e Criciúma no apagar das luzes?). Souza, outra vez, foi o melhor em campo. Que jogadoraço, rouba bolas sem fazer falta! Os laterais tiveram atuação mediana, ainda que Pará tenha desperdiçado inúmeras bolas bobas, que poderiam resultar em contra-ataques, estivesse o Goiás mais inspirado. A zaga foi bem; o ataque, esforçado. Barcos enfim anotou o dele. Faltou triangulação no meio, sobretudo depois de o Grêmio abrir o placar. Parece que o time se acomodou. Mas não importa, o resultado veio. Agora, classificados, precisamos garantir o segundo lugar e buscar reforços: mais laterais, um ou dois atacantes de velocidade, mais um meio de campo. Há outro bom jogador estrangeiro dando sopa: Lodeiro é hoje reserva do Botafogo. É jovem, não sairia muito caro e seria um investimento.
domingo, 17 de novembro de 2013
MAXI
Este blog disse na quinta-feira passada que Maxi Rodríguez é titular absoluto deste time. Não pode ficar no banco. Vargas ou Riveros ou Barcos que me desculpem, mas o único estrangeiro que não pode sobrar no Grêmio é M. Rodríguez. Lembra, e muito, Montillo nos melhores momentos. O Grêmio faz força para ficar de fora do G-4, mas Renato tem estrela! Agora é fazer três pontos fora de casa, mais três em casa e o Grêmio garante o segundo lugar na competição e entra como favorito, sim, favorito, para a Libertadores. Quem viver, verá!
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Vitória suada
O Grêmio tem um jogador que desfila de cabeça erguida, na vertical, com passadas largas. Às vezes, é displicente, atira as mãos à cintura e erra muitos passes, porque seus passes são para frente, não para os lados, como os da maioria dos jogadores. Entretanto, tem velocidade, uma visão de jogo invejável e toques de calcanhar precisos Em certas ocasiões, lembra o argentino Montillo, ele que também fala espanhol, mas é uruguaio. Falo de Maxi Rodríguez, jogador em quem aposto muito e que precisa se tornar urgentemente titular do time do Grêmio. Ontem, de novo, entrou muito bem, passeando pelo tapete verde como há muito não se via no palco da Arena.
*
O Grêmio, depois de fazer o gol, lembrou o velho Grêmio, seguro e com personalidade. Antes, porém, foi um pavor. Sempre imaginei que o Vasco estivesse mais perto de abrir o placar. Contudo, quando Rodolpho fez o gol de cabeça, os nervos se acalmaram e o time apresentou um bom futebol, sem oferecer riscos. Além de Rodolpho e de M. Rodríguez, quem gastou a bola foi Souza, que dominou o meio de campo e, para mim, teve a melhor atuação em campo. Agora, contra o Flamengo, o time precisa manter essa dinâmica dos últimos quinze minutos para buscar a vitória e, enfim, a reabilitação no campeonato. Se bater o rubro-negro, o tricolor entra com força nas três rodadas finais do Brasileirão.
*
O Grêmio, depois de fazer o gol, lembrou o velho Grêmio, seguro e com personalidade. Antes, porém, foi um pavor. Sempre imaginei que o Vasco estivesse mais perto de abrir o placar. Contudo, quando Rodolpho fez o gol de cabeça, os nervos se acalmaram e o time apresentou um bom futebol, sem oferecer riscos. Além de Rodolpho e de M. Rodríguez, quem gastou a bola foi Souza, que dominou o meio de campo e, para mim, teve a melhor atuação em campo. Agora, contra o Flamengo, o time precisa manter essa dinâmica dos últimos quinze minutos para buscar a vitória e, enfim, a reabilitação no campeonato. Se bater o rubro-negro, o tricolor entra com força nas três rodadas finais do Brasileirão.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Goleada
Ou bem o Grêmio muda de postura ou o caminho para fora da Libertadores será iminente. Já o é. Durante noventa minutos fomos massacrados. O meio de campo esteve perdido, os três volantes não marcaram ninguém e Pará e Teles foram um desastre. Do ataque, nem falo. De Minas, para mim, ficaram duas certezas: Maxi joga nesse time com meia perna e Renato demora muito a utilizar o banco, mesmo quando a equipe caminha em campo. Gremistas, temeis.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Barcos - ainda
Verdade,
entreguei-me a um exercício malfadado de adivinhação e acreditei em um
centroavante que de costume não faz gols. É que sempre gostei de finais
surpreendentes, desde a personagem que sai com a cabeça decepada da amante
ladeira acima até aquele assassinato em que há uma reviravolta no capítulo
final. Mea culpa. O pior nem é isso, mas que, ontem, a cada gol perdido de
Barcos e, vá lá, de Kleber, eu tinha a certeza, a certeza absoluta de que o
desfecho imprevisível estava logo ali à frente, que eu veria a epopeia de um
anti-herói e chegaria aqui no dia seguinte e diria: "eu avisei, eu
avisei". Entretanto, para a desilusão de meus vaticínios e para a minha própria
tristeza, redundância que hoje se explica, o milagre da multiplicação dos gols
não aconteceu e o Grêmio está eliminado da Copa do Brasil. Também pudera, quando
o melhor atacante do time é um volante de nome Ramiro... A memorável jornada
que levaria Barcos do inferno ao céu não aconteceu e o ato final que o
consagraria e glorificaria também não. Barcos é como um texto manjado do início
ao fim. E ruim.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Veteranos
Ao final do jogo de ontem, o que
mais se ouvia era um clamor: por que não Zé Roberto, Renato? O treinador
franzia o cenho, sorria amarelo, dava uma resposta mais ríspida. Verdade, Zé
Roberto podia ter entrado, talvez até começado o jogo. Ninguém há de negar que,
antes da parada, vinha sendo o melhor homem do Grêmio, esbanjando categoria e
fazendo belos gols. Daí a insistente pergunta: por que não Zé Roberto, Renato?
Outro que viu boa parte da partida
do banco foi Elano. Organizador de time, batedor de faltas, dono de um chute
potente de fora da área. A este coube pelo menos cerca de vinte e cinco minutos
no gramado esburacado da Vila Capanema. Soube prender bem a bola e desafogar um
pouco o time, porque estava um sufoco. Com Elano na meia-cancha, o Grêmio
respirou mais.
Esses dois meio-campistas de grife, até
então reservas incontestes na medida em que o Grêmio fazia os resultados, de
repente tornaram-se os equívocos de Renato. Para além dos supostos problemas físicos, todos agora têm um palpite de por
que não jogam, sobretudo Zé Roberto. Estaria acertado com o São Paulo, dizem, e
eu não duvido, que fique claro.
Para mim, porém, esses dois equívocos
– se equívocos foram – passariam batido. Particularmente e com o velho direito
que se tem de dar opinião, embora logo ali eu corra o risco de ser apedrejado,
particularmente, repito, gostei de Lucas Coelho. Jogou bem, em especial quando
caiu pelo lado do zagueiro Luiz Alberto. Não sentiu o peso da decisão, fez boas
jogadas de pivô e até mandou uma bola para a lua. Por isso, não entendi o
motivo de ter sido sacrificado em prol de Mamute, que atuava pior e, desconfio,
tenha sido o responsável por todos os impedimentos do Grêmio no cotejo.
Quero dizer com isso que livro a
cara de Renato: eu também teria começado com os meninos, ainda que sem aquele
discurso pronto de que ganham bem, namoram etc. Claro, durante os noventa
minutos, eu teria chamado Zé Roberto ou Maxi, mas este a meu ver não foi o erro
capital. Este erro passaria batido. Como os de Elano e de Riveiros de cabeça. O
que não dá para deixar de lado e não vi ninguém da imprensa gaúcha falar foi a
liberdade que teve durante os quase noventa minutos em que esteve em campo
outro veterano: o gremista Paulo Baier.
Fosse eu repórter, pelo dever de
jornalista, perguntaria a respeito de Zé Roberto, sim. Contudo, o que não
deixaria de modo algum de questionar, e com insistência, seria: por que não um
marcador exclusivo para Paulo Baier, Renato? Na quarta que vem o Tricolor terá
de se superar e desconfio de que deixará o tapete verde desclassificado. O que
não é de todo ruim, visto que tive essa mesma impressão diante de Santos e
Corinthians. Entretanto, se o Grêmio se classificar, fica aqui a premonição,
será com gols de Barcos. Porque histórias de verdade devem sempre ser costuradas por linhas
tortas.
FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-PR 1 X 0 GRÊMIO
Local: Estádio
Durival Britto e Silva, em Curitiba (PR)
Data: 30 de outubro de 2013, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Carlos Augusto Nogueira Junior (SP)
Cartões amarelos: Ederson (Atlético-PR); Alex Telles e Bressan (Grêmio)
Gols: ATLÉTICO-PR: Dellatorre, aos 36 minutos do primeiro tempo
Data: 30 de outubro de 2013, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Carlos Augusto Nogueira Junior (SP)
Cartões amarelos: Ederson (Atlético-PR); Alex Telles e Bressan (Grêmio)
Gols: ATLÉTICO-PR: Dellatorre, aos 36 minutos do primeiro tempo
ATLÉTICO-PR: Weverton; Léo, Manoel, Luiz Alberto e Juninho; Deivid,
Zezinho (João Paulo), Everton e Paulo Baier (Frán Mérida); Dellatorre (Ciro) e
Ederson Técnico: Vagner
Mancini
GRÊMIO: Dida; Werley, Bressan e Rhodolfo; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Lucas Coelho (Elano) e Yuri Mamute (Paulinho) Técnico: Renato Gaúcho
GRÊMIO: Dida; Werley, Bressan e Rhodolfo; Pará, Souza, Ramiro, Riveros e Alex Telles; Lucas Coelho (Elano) e Yuri Mamute (Paulinho) Técnico: Renato Gaúcho
domingo, 27 de outubro de 2013
Gramilvos
Texto de juventude, inspirado em uma palavra da tradução de Augusto de Campos para o poema "Jabberwocky", de Lewis Carroll. Há que se ter muito cuidado em publicar textos de juventude. E pouca vergonha na cara.
GRAMILVOS
E como não fosse instruído e tampouco entendesse de palavras, inventou uma: Gramilvos.
Um dia, muito pequeno, imaginou o
que seria gramilvos. Bem poderia ser um nome de planta, que plantas costumam
ter desses nomes estranhos. Plantas, gramas, gramados, gramilvos. Fazia
sentido, mas não tanto. Não convencia de todo sua imaginação e contestava suas
certezas. Sim, porque gramilvos tinha não sei que nome de guerra, de avião, de
aparelho telefônico, de chocolate. Mas era apenas um não-sei-quê e nunca um sim
quê.
E se
fosse um cheiro, um tipo de queijo, um gramofone? Gramilvos não seria, sabe
lá... Uma máquina, uma marca, um disco voador? Que diabos de tardes não perdia
procurando entender aquela palavra que expressava tão bem todas as coisas não
expressando nenhuma! Que diabo de palavra musical que não saía de sua cabeça:
GRA-MIL-VOS.
Passados dez anos, cansado de
refletir em vãs filosofias, indagou a seu pai, o que, afinal, seria gramilvos.
E ele lhe disse que gramilvos era a vida, pois muito seu pai havia filosofado
sobre gramilvos em sua centenária existência, sempre buscando explicação, o
sentido mais correto.
E quando acordou de seu sonho, a
cama do hospício parecia ainda mais dura e o quarto parecia ainda mais frio.
Gramilvos não saía de sua cabeça. Mas não havia dicionário naquela Biblioteca.
E não existia a palavra gramilvos naquele dicionário daquela Biblioteca que não
existia. De modo que ele mesmo inventou um significado, que cheirava à
infância.
E
gralmilvos era a vida.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Aqui não
Como gremista, confesso que imaginei
que perderíamos o jogo para o Timão depois de Vargas desperdiçar duas
oportunidades claras. Bem diz Muricy: "A bola pune". E já puniu
muitos times que jogaram contra o Grêmio de Renato este ano, inclusive o próprio
São Paulo. O Grêmio, de costume, joga fechadinho, no erro do adversário, e, ao
pintar a chance, faz.
Mas, ontem, contra o Corinthians, não,
ontem foi diferente. Verdade que o Grêmio não se jogou ao ataque, embora com três
homens na linha de frente. Ainda assim, propôs o jogo o tempo inteiro, criou
boas oportunidades e deu chance para o azar com os dois tentos perdidos por
Vargas.
Acontece que, de regra, não era o
que vinha acontecendo com o Imortal. Salvo no empate do Grenal, em que foi às
redes duas vezes, o time vinha ganhando os jogos com aproveitamento total das
chances ou quase isso. De duas bolas, mandava uma para dentro e estávamos
conversados. Não de graça, um dos piores melhores ataques do Brasil.
Mas ontem não. Ora, um time que
praticamente se contraria os noventa minutos e perde dois gols contra o Timão levará
o castigo. Que torcedor do Grêmio ousaria pensar diferente? Outro ingrediente
aterrador que contribuía para o pessimismo da superstição: como por destino, o
bom Cássio se machucara e em seu lugar havia entrado Walter, pegador de
pênaltis. Menos mal que do outro e nosso lado havia Dida, que dispensa
comentários.
Mesmo assim, meu pressentimento não
era nada bom. A velha história de que a bola pune não parava de martelar em
minha cabeça. Sobretudo depois de Barcos e Alex Telles perderem os penais e de
o Corinthians abrir vantagem com Romarinho, após Danilo também errar. O
agravante: na cobrança de Telles, a bola explodiu na trave, esbarrou nas
chuteiras do arqueiro alvinegro e... ali se aninhou.
Como então imaginar que a noite não
seria catastrófica? Como negar o improvável? Só que há certas incongruências
que fazem do futebol o que é, apaixonante. Antes de Pará chutar seu pênalti para o Grêmio,
eu tinha certeza de que nós, tricolores, estaríamos desclassificados. Depois
que Pará converteu, minha certeza mudou de lado. Isso mesmo, em uma cobrança.
As tais incongruências.
Pará bateu com fúria e fez, criando
na minha opinião o momento mais emblemático do confronto na marca da cal,
trazendo alento, confiança. Não foi o gol em si, nem a quase defesa de Walter,
mas o que veio depois. A bola, que já havia entrado, voltou das redes quicando
e Pará deu outro bico nela, outra vez para dentro do gol, e balançou os braços
de maneira monstruosa, como se abarcasse o mundo com esse gesto, como se
dissesse para quem quisesse ouvir: aqui não. Ali tive a suprema certeza de que
o Grêmio não perderia mais a classificação, mesmo que a vantagem continuasse
corintiana, por a disputa estar empatada e ter um pênalti a mais.
O resto da história se conhece. Edenilson
perdeu a chance de pôr o Corinthians à frente, Elano e Alessandro converteram
seus tiros e a decisão ficou nos pés de Kleber e Pato. O primeiro bateu com
maestria, até com um quê de desprezo, cabeça erguida, bola de um lado, goleiro
do outro. O segundo arrematou como qualquer corintiano temia, com um quê de
displicência, o que talvez mas não necessariamente explique a carreira desse
jogador, outrora tão promissor e hoje, com 24 anos, ainda não afirmado.
Dida encaixou o chute fraco, a
cavadinha, a recuada e, vingança cruel, já com a bola nas mãos, mergulhou uma e
duas vezes no gramado, como para deixar seu recado a um jogador que tem tempo,
mas precisa repensar a profissão: a bola pune. Nas entrevistas, o melhor em campo
falou com a habitual tranquilidade sobre os três pênaltis defendidos, tentou contemporizar
a cobrança de Pato, quantos antes já não cobraram daquela maneira?, e esboçou
um sorriso quando perguntado a respeito de sua fama de pegador de penais.
A maioria dos torcedores e a crônica
esportiva elegeram Dida o herói, Pato o vilão. Um desfecho natural para o
famoso esporte que leva do céu ao inferno e vice-versa. A Dida o que é de Dida,
os louros de classificar o Grêmio. A Pato o que é de Pato, o peso de eliminar o
Timão. Porém, não vi ninguém mencionar aquela atitude de Pará, que a meu ver
mudou os rumos da decisão. E por isso o faço, como agradecimento. Com todo o
respeito, corintianos: aqui não.
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